Barcos não conseguirão chegar ao porto do Caburi; moradores precisarão usar rabetas e caminhar longas distâncias para conseguir viajar até a cidade
A seca dos rios já começa a mudar drasticamente a rotina dos moradores das comunidades rurais de Parintins, no Amazonas. Nesta semana, as embarcações maiores que fazem o transporte de passageiros para a comunidade do Caburi deixaram de conseguir chegar até o porto local devido à redução do nível das águas.
Agora, para continuar a viagem até Parintins, moradores precisam utilizar pequenas embarcações, como rabetas, para alcançar os barcos maiores em pontos onde ainda existe profundidade suficiente para a navegação.
O problema vai além do desconforto. Para milhares de ribeirinhos, o transporte fluvial é a principal ligação com a cidade. É por meio dos rios que moradores chegam a Parintins para buscar atendimento de saúde, fazer compras, resolver problemas, comercializar a produção e transportar mercadorias.
Viagem mais longa e cansativa
Com os barcos maiores cada vez mais distantes das comunidades, a viagem passa a exigir mais esforço dos passageiros. Pessoas precisam fazer a transferência entre embarcações e enfrentar trechos que antes eram percorridos diretamente pelos barcos.
Em outras comunidades rurais, a situação é ainda mais complicada. Com o recuo das águas, moradores precisam caminhar longas distâncias carregando malas, alimentos e a produção agrícola até encontrar um ponto onde seja possível embarcar.
Para idosos, crianças e famílias que transportam grandes volumes, o deslocamento se torna ainda mais difícil.
O rio que antes era caminho agora virou obstáculo
Na Amazônia, o rio é muito mais do que uma via de transporte. Para as comunidades ribeirinhas, ele representa a principal ligação com a cidade e com serviços essenciais.
Quando a água baixa, essa ligação fica comprometida.
A realidade vivida atualmente pelos moradores do Caburi e de outras comunidades rurais de Parintins revela os efeitos da estiagem sobre uma população que depende diariamente dos rios para se deslocar e garantir o sustento das famílias.
E enquanto o nível das águas continua baixando, o ribeirinho precisa encontrar novos caminhos para continuar seguindo.